Sábado de manhã, volto do meu passeio com o Bart, meu Labrador que está velhinho e está mais para uma tartaruga peluda do que para um digno representante da raça da raça retriever, tomo meu café e vou fazer o número 2 com O Globo na mão.
Na primeira página dou de cara com a chamada: “EXAMES DE PRÓSTATA NÃO RESOLVEM”.
Travo o número 2, limpo os óculos, aguço o olhar e leio que pesquisas e publicações da British Medical Journal afirma que exames de próstata não reduzem as mortes por câncer. O Inca vai além e não recomenda nem o toque retal nem o PSA para rastrear a doença.
Então quer dizer que estes anos todos – me recomendaram que a partir dos 40 o homem deve realizar este exame anualmente (epa!) – 15 anos (epa!) para ser mais preciso, eu fiquei dezenas de vezes de quatro, com as calças abaixadas até o calcanhar, tomei dedadas sem conta – tenho comigo uma teoria que para passar no vestibular de medicina e se formar em Urologia ou Proctologia, é condição sine qua ter dedo de ET ou de Hulk – para nada? Quer dizer que agüentei todas as piadinhas sobre “o pior é o bafo no cangote”, “o pior é quando você vê as duas mãos do médico no seu ombro”, “vai pedir uma segunda opinião?, etc, etc, para nada? Li uma vez uma crônica maravilhosa do Veríssimo que ao saber que o ovo não era mais o vilão do colesterol reclamava o direito de ter de volta todos os ovos que deixou de comer, os docinhos com fios de ovos das festas de aniversário dos filhos que ficou babando sem comer. E decidi que quero que os médicos que me recomendaram os exames anuais (epa!) vão tomar no mesmo lugar onde me fizeram os exames.
Como diria o Gerson, o Canhota de Ouro: - Brincadeira!
João Bosco

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