Eu sei, eu sei...fiquei algum tempo sem conseguir nem pisar por aqui.
Acontece tanta coisa em duas semanas que é até difícil explicar. Mas o mais sério e triste foi a morte do meu avô em São Paulo, depois de 95 anos de vida bem vivida. Isso mexe com a gente e faz pensar. Minha escolha foi ficar comigo mesmo, sem fazer grandes marolas. Escrevi um texto sobre ele que mandei para a minha família no sábado, dia 15, dia da sua morte. Quero reproduzir aqui como uma homengam a ele, depois de sete dias: Na verdade não morreu, meu avô apagou aos 95 anos de vida, depois de muito viver, muito saber, muito querer. Morre com ele uma parte importante de mim, do meu pai, meu irmão, meus primos, meus tios e tias queridos. Morre um elo que manteve tantos anos a cumplicidade Forbes, razão de haver sempre alguém falando e reclamando de outro alguém sem jamais permitir que outra pessoa falasse qualquer coisa. Morre no momento em que todos os filhos se falam, se escutam, se entendem.
Meu avô, vovô, papai, sogro, bisavô, Luiz, Doutor Luiz. Não importa o nome pelo qual o chamassem ele sempre atendia. Com ele minha filha falava em alemão para a diversão dos dois. Pequenos segredos em uma deliciosa cumplicidade entre o mais velho e uma das mais novas Forbes.
A morte em casa, no cômodo preferido, cercado de cuidados, atenções e carinhos, conforta. Descansou, dirão alguns. Fica o dever de enfrentar a perda e manter unida uma família que em seu nome sempre se reuniu e que em seu nome continuará reunida. Fica o dever de confortar principalmente a avó e os pais, os primos, os bisnetos e todos aqueles que puderam aproveitar da sua companhia, generosidade, inteligência.
As lembranças voltam correndo: o apartamento de Santos, os mistérios de seu escritório e suas gavetas, as férias em Santos com direito a sangria num bar da orla, as ceias de Natal, o whisky nas visitas surpresa, o Horse`s Neck nos almoços de sábado, o kilt escocês, as implicâncias com a vovó, as palavras cruzadas em francês, as citações em latim, as histórias do passado contadas em confidência, os beijos carinhosos que o deixavam encabulado, as consultas médicas feitas por interurbano, as piadas, as festas, os amigos, a família.
“Os ingleses fizeram a barba antes de invadir a Normandia”, dizia ele ao nos ver com a barba de dois ou três dias. E todos nós, de barba feita, vamos nos reunir para a sua despedida. Um último adeus. Um obrigado por tudo. Uma promessa final de manter vivos os seus valores e sua família.

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