Lembro do meu sonho de criança em passar um Natal nos Estados Unidos. A idéia era a de termos neve no Natal, viver um genuíno "White Christmas". Isso só aconteceu muito tempo depois, quando eu já não era mais criança e mesmo assim sem o meu pai por perto, que me fez muita falta.
De qualquer forma, lembro até hoje das cores do Natal em Nova York. Todas as lojas enfeitadas como se fossem grandes árvores de natal. Bonecos, flores, estrelas. Tudo mágico, brilhante, fascinante. A árvore do Rockefeller Center era o mais impressionante, mas o clima estava em todo lugar. Todas as lojas, restaurantes, cinemas, táxis, etc.
Aí a gente volta pro Brasil, o tempo passa e ficamos imaginando quando vamos chegar perto de um white Christmas... É claro que estamos no meio de uma crise imensa. Claro que o espírito natalino no Brasil é bem diferente. Mas os EUA não chegaram ao que eles têm hoje do dia pra noite. Foi preciso muito trabalho e, principalmente, muito trabalho do pessoal de marketing.
A história começa em 1822 quando Clement Clark Moore escreve um poema para os seus seis filhos com o título: Uma Visita de São Nicolau. O poema conta a lenda de São Nicolau Taumaturgo, bispo de Mira que tinha o costume de ajudar os necessitados de forma anônima. No poema e na fantasia de Moore São Nicolau andava em um trenó, puxado por renas. Nascia Santa Claus e a óbvia oportunidade comercial de promover a troca de presentes. Em 1931, a Coca-Cola dá uma nova roupagem ao conhecido Santa. Roupas vermelhas, bochechas rosadas e uma garrafa de Coca-Cola na mão; foi assim que Santa Claus ganhou a mídia e a Coca-Cola conseguiu se associar com a figura mais popular de todos os tempos.

Ontem, li no Blue Bus que a Coca-Cola vai voltar a usar o bom velhinho esse ano, mas ainda estamos longe do espírito de Natal que os americanos conhecem tão bem. Acredito que em um futuro próximo as agências e anunciantes vão entender que a época do Natal não é apenas a época das promoções, decorações de shopping, etc. Natal dá a oportunidade de todos trabalharmos em uma só direção, criando o clima, a magia e o envolvimento capazes de tocar as pessoas. As vendas são inevitáveis (e desejadas), mas todo ano perdemos a oportunidade de mexer mais fundo com a sociedade. Talvez por que a lapônia esteja muito longe, talvez porque resistimos a cultura americana. Quem sabe fazemos do dia de Zumbi uma grande festa brasileira.

Todos os meus sonhos de criança foram pelo ralo... O bom velhinho que eu esperava ansiosamente todos os anos na noite de Natal não passa de uma invenção comercial! hehehe.... brincadeira... Bem, por mais que eu admire a repercursão gerada por essa "ação de marketing", o fato é que o que importa é o sentimento que ela desperta todos os anos em milhares de crianças (e adultos como eu que ainda acreditam no espírito natalino!). Nunca passei o Natal nos EUA, mas acho e espero que independente da idade, do lugar e da crise sempre existirão pessoas dispostas a estimular a imaginação e a fantasia da história do Papai-Noel. Hohoho... Feliz Natal!!!
Renata Gobert
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