Fast Foward Comunicação

Certa vez, eu e uma turma boa, com o saco cheio da maratona de festivais de publicidade, exaustos de tantos egos inflados e soltos sem rumo nos ceús do Rio de Janeiro, invocamos o filósofo Carlos Pedrosa – Comer mulher bonita é mole, quero ver é comer mocréia – para sugerir a criação do Festival Ed Wood de Cinema Publicitário, com o troféu Bela Lugosi. A coisa funcionava assim: você tinha que contar, na roda, o pior comercial que havia criado. Mas não bastava só contar, tinha que contar com orgulho o melhor do seu pior. Tinha que rolar lagriminha de emoção ao submeter àquela roda de craques, ao critério dos mais exigentes, o seu filho bastardo, que até então, você havia feito de tudo para esconder. Eu fui o primeiro a respirar fundo e narrar um comercial de um minuto, produzido em P&B, quando estava começando a minha carreira, em Belo Horizonte. O comercial, com estética de filme brasileiro do Cinema Novo, mostrava um casal quarentão – protagonizado pelo Rei Momo do Carnaval de Belo Horizonte, quando Rei Momo era Rei Momo, Bolão, e sua esposa Dona Teteca – como pessoas comuns, na porta do casebre (erro da produção: como uma família pobre podia ser gorda daquele jeito?) acenando para a câmera, com lágrima nos olhos. Ao cortar para o contra-ponto, câmera mostrava para quem os pais acenavam: o filho, um garotão com a cara cheia de espinhas, malinha de papelão na mão, despedindo e se afastando, indo embora de casa para a capital. Entrava um locutor: Pena que não existam remédios para todas as dores. A Drogaria Silva teria. Aplausos, ovação e urros a la Palais du Festival em Cannes. Os outros também contaram seus Ed Woods, mas sem o mesmo impacto. Resultado: o meu Ed Wood virou um cult.

PS: Imaginem o Ed Wood na publicidade, pra valer mesmo. O que tem de candidatos ao Bela Lugosi de verdade, na tv paga e aberta, não é brincadeira. Só falta coragem pra contar na frente dos outros.

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